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Segundo René Wells, devemos conhecer os princípios básicos deste instrumento maravilhoso - nosso corpo - até podermos nos expressar através dele tão bem ou melhor do que com as palavras.

A questão, portanto, é como fazer com que todas as potencialidades corporais sejam aproveitadas e maximizadas. Orientado imaginativamente, nosso corpo se torna uma ferramenta grata e maleável, a serviço da fantasia, da espontaneidade e da criatividade.

Essa orientação se inicia no momento em que são explorados os movimentos locomotores, como caminhar, saltar e correr. E prossegue com os movimentos funcionais, como bater, chutar, sacudir e apalpar. A partir disso, aprende-se a modificá-los, variando a gradação de seus elementos: o uso do espaço, o gasto de energia e o consumo de tempo necessários para executá-los.

Todos esses movimentos são obtidos, sem forçar, através de estímulos ao alcance do interesse das alunas dentro da técnica da dança. Assim temos um método criado especialmente pelo Ballet Paula Castro, o que nos torna únicos e pioneiros na formação do profissional, antes de tudo, pleno e íntegro.
"Numa parede da gruta de Gabillou (perto de Mussidan, na Dordonha), está representado o ancestral dos dançarinos: a silhueta gravada de um personagem visto de perfil, de cerca de trinta centímetros de altura.

A cabeça e o corpo estão cobertos por pele de bisão. As pernas, sem qualquer dúvida humanas, indicam uma espécie de salto no lugar. O ângulo do torso com as pernas é de vinte e cinco a trinta graus."

(Paul Bourcier)



Cronologicamente, os primeiros registros dessa forma de expressão humana datam do período Paleolítico Superior (30.000 ou 25.000 AC a 10.000 AC). A palavra Dança vem do Sânscrito TAN e significa tensão.

Seu significado referiu-se então às tensões do homem primitivo produzidas pela sua necessidade de sobrevivência frente aos medos, curiosidade, deslumbramentos, tristezas e alegrias que envolviam o mundo primitivo e frente ao seu próprio instinto guerreiro e de preservação.

A Dança representou uma forma de expressão corporal impregnada de um caráter místico, mágico e simbólico. Sujeito aos acasos da natureza selvagem, o homem predador vivia do resultado da luta diária pela caça, pesca e colheita. Os animais forneciam, além de carne e gordura, matéria-prima para as vestimentas e para seus instrumentos: ossos e chifres.

A Dança enquanto forma de expressão corporal referia-se a eles e é possível supor que os animais fossem cultuados pelos homens e impregnassem a Dança de um caráter de reverência mística, religiosa e simbólica para com os animais. Esse caráter simbólico é atribuído em função da sugestividade da Dança, produzida pela sua plasticidade cinética de movimento.

O homem primitivo reproduzia através da Dança, por exemplo, a energia combativa do Bisão e manifestava elementos da vida cotidiana: o trabalho, a festa, a guerra, a morte.

A observação foi o primeiro instrumento de comunicação do homem para com o mundo que o cercava. Visualizando o movimento dos elementos do mundo exterior e procurando apreender esses movimentos através de sua própria expressão corporal, a expressão primitiva - enquanto modalidade sensorial - viria a amadurecer todo processo de cognição do Homem e da sua própria realidade através do referencial que ele construiu a partir do mundo vivido:

"Para o homem primitivo a importância da manifestação de sua arte pictórica não se encontrava na obra desenvolvida, mas no momento mágico de sua criação, imbuindo-se da energia da criação e do movimento artístico. O senso estético do homem primitivo foi sem dúvida, fortalecido através da expressão pictórica.

A finalidade verdadeira de sua expressão não era agradar os sentidos, uma vez que o Homem de Cro-Magnon usava muitas vezes a mesma superfície para uma nova produção, pois o ato de criar era mais importante do que a obra acabada, em si, a qual era destinada a facilitar a sua luta pela sobrevivência e seus desenvolvimento gradual."

(Íris G. Bertoni)


Foi a partir do Período Neolítico (10.000 AC a 5.000-3.000 AC) que a Dança passou a ter uma caráter artístico, além do simbólico, como forma de expressão do Homem. O prazer na expressão de seus próprios movimentos buscava desenvolver e aproximar a essência ritualística na Dança de sua própria manifestação. A possibilidade de alguma forma musical foi consolidada com a presença de elementos musicais como flautas e matracas encontradas em pinturas murais da época neolítica.

Nesse período o homem descobre na agricultura e na criação de animais um modo de dispor de reserva de alimentos. As populações aumentam e a formação de grupos se acentua. A simbologia atribuída aos animais vai adquirindo diferentes aspectos em cada um desses grupos e à medida que eles vão assumindo suas identidades. A Dança já alcançava, nessa época, divisões específicas: de caça, de máscaras, fúnebres, eróticas, religiosas, guerreiras etc.

No Período Civilizatório (3.000 AC) floresceram as chamadas Culturas Superiores, caracterizadas pela construção de saberes intelectuais, artísticos, filosóficos, científicos etc. As descobertas arqueológicas revelam que por volta de 3.000 AC houve um progresso indiscutível nas artes e nas ciências nos vales do Nilo e do Tigre-Eufrates. A Dança, quase sempre, esteve presente nas representações desses grupos e é um indicativo muito importante da relação que o próprio indivíduo mantinha com a sua sociedade e com seu universo simbólico.

Para saber mais, consulte:

Iris G. Bertoni
A dança e a evolução. O Ballet e seu contexto teórico:
Programação didática
Editora Tanz do Brasil

Paul Bourcier
História da Dança no Ocidente
Editora Martins Fontes


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